TST - 18 de Agosto
Produtor rural deverá permanecer em ‘lista suja’ de trabalho análogo à escravidão
Resumo:
A fiscalização encontrou sete trabalhadores sem registro, alojados em barraco precário e sem condições mínimas de higiene e segurança.
O TRT concluiu que a situação configurou trabalho em condições análogas à escravidão.
A 3ª Turma decidiu que a regularização posterior das irregularidades não afasta a inclusão do empregador na Lista Suja do Trabalho Escravo.
18/8/2026 - A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve a inclusão de um produtor rural de Uruçuí (PI) no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas às de escravo, conhecido como ‘Lista Suja do Trabalho Escravo’. Para o colegiado, a comprovação de condições degradantes de trabalho basta para justificar a medida, e a posterior correção das irregularidades não afasta a validade da inscrição.
Fiscalização encontrou trabalhadores em condições degradantes
A auditoria fiscal do trabalho encontrou sete trabalhadores rurais que atuavam na catação manual e na queima de raízes, atividade preparatória para o plantio, na Fazenda São Silvestre. Entre as irregularidades constatadas estavam a ausência de registro formal, a falta de fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs), alojamento em barraco de lona sem paredes adequadas e inexistência de instalações sanitárias.
O proprietário da fazenda foi multado e, com a autuação, seu nome foi incluído na “lista suja”, banco de dados mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A inclusão tem consequências na concessão de empréstimos e incentivos fiscais e pode gerar rompimento de contratos na cadeia de suprimentos, além de comprometer a imagem da empresa no mercado.
Produtor buscou excluir nome do cadastro
O empregador ajuizou ação contra a União alegando que a medida foi desproporcional. Segundo ele, não houve trabalho escravo, mas apenas irregularidades trabalhistas, uma vez que os trabalhadores não tiveram a liberdade restringida nem sofreram nenhuma forma de coação. Segundo ele, havia estrutura adequada na sede da fazenda, à qual os trabalhadores tinham livre acesso, e que as irregularidades apontadas pela fiscalização haviam sido posteriormente corrigidas.
TRT reconheceu condições análogas à escravidão
O juízo de primeiro grau acolheu o pedido e determinou a exclusão do nome do empregador do cadastro. Contudo, o Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região reformou a sentença.
Segundo o TRT, os autos de infração têm presunção de legitimidade, e as circunstâncias constatadas pela fiscalização caracterizam trabalho em condição análoga à de escravo, na modalidade de condições degradantes, prevista no artigo 149 do Código Penal. Com esse entendimento, manteve válida a inclusão do empregador no cadastro.
Regularização posterior não afasta inclusão
O ministro Alberto Balazeiro, relator do recurso do produtor ao TST, observou que a posterior correção das irregularidades não impede a inclusão do empregador no cadastro quando os requisitos legais para a inscrição já estavam presentes.
Segundo o relator, o fazendeiro buscava apenas excluir seu nome da lista, sem questionar a validade dos autos de infração. No mesmo sentido, o pagamento voluntário das multas administrativas também evidencia o reconhecimento das irregularidades constatadas pela fiscalização.
Balazeiro ressaltou, ainda, que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a constitucionalidade da Lista Suja do Trabalho Escravo. Segundo o relator, o cadastro é informativo e constitui um importante instrumento de transparência e de combate ao trabalho escravo contemporâneo.
Outro aspecto lembrado pelo relator é que a caracterização do trabalho em condição análoga à escravidão não depende da comprovação de cárcere privado, vigilância armada ou restrição física à liberdade. A submissão do trabalhador a condições degradantes de trabalho é uma hipótese autônoma prevista no Código Penal.
A decisão foi unânime.
(Ricardo Reis/CF. Foto: Agência Brasil)
O TST tem oito Turmas, que julgam principalmente recursos de revista, agravos de instrumento e agravos contra decisões individuais de relatores. Das decisões das Turmas, pode caber recurso à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1). Acompanhe o andamento do processo neste link:
Processo: AIRR-0001082-65.2024.5.22.0106
Receba nossos conteúdos
Quer receber as notícias do TST em seu email? Assine a nossa newsletter.
Se quiser receber as notícias em seu WhatsApp, faça parte da comunidade do TST no aplicativo. Atenção: ao ingressar, os demais membros não terão acesso ao seu contato. Os conteúdos são enviados uma vez por dia, em dias úteis.
Esta matéria é meramente informativa.
Permitida a reprodução mediante citação da fonte.
Secretaria de Comunicação Social
Tribunal Superior do Trabalho
Tel. (61) 3043-4907
secom@tst.jus.br
Por: Tribunal superior do trabalho