TCE-RS - 15 de Abril
Foro Central II recebe exposição que valoriza a história da população negra de Porto Alegre
Responsável pela curadoria da mostra, a produtora e documentarista Lizandra Moraes salientou a o caráter coletivo e simbólico do projeto. “Esse apanhado de fotos atravessa passado, presente e futuro. É uma forma de devolver ao porto-alegrense esse álbum de família que nos foi confiado”, afirmou. Segundo ela, a curadoria também evidencia o protagonismo feminino na construção da obra. “São mulheres à frente do tempo, muitas vezes sendo ‘as primeiras’ em seus espaços, em um momento em que esse protagonismo não era reconhecido", avaliou.
Pessoa em pé aponta com a mão para um painel expositivo composto por fotografias antigas em preto e branco, organizadas em linhas horizontais. Ela está posicionada lateralmente ao painel, que faz parte da mostra histórica. Ao fundo, outros painéis semelhantes compõem o espaço da exposição, mantendo o padrão visual e estrutural. .jpg - 410 KB
Lizandra é a responsável pela curadoria da exposição
Créditos: Elisa Nunes e Silva
A escolha do Foro Central como sede da exposição carrega um significado especial. Para Lizandra, levar a mostra a um espaço institucional é também uma forma de provocar reflexão. “A gente entendeu que precisava acessar um espaço de poder. Estar aqui é mais do que ocupar um espaço físico, é cumprir a missão de provocar esse lugar”, disse. Ela reforça ainda que a proposta central é reafirmar a contribuição histórica da população negra: “Não se negocia que mãos negras criaram a cidade de Porto Alegre. Está mais do que na hora de contar nome e sobrenome dessas pessoas", detalhou. Lizandra ainda frisou o apoio recebido pela Ouvidoria da Mulher, das Pessoas LGBTQIAPN+ e das Pessoas em Situação de Vulnerabilidade do TJRS, Desembargadora Jane Maria Köhler Vidal, que acolheu o projeto e foi essencial para a sua realização no espaço.
Entre as fotos expostas no local, está a documentação visual de comemorações, viagens, apresentações musicais, formaturas, crenças e o cotidiano das famílias, o que ajuda a contar a história de Porto Alegre e evidenciar o protagonismo da população negra em áreas como esporte, arte e política da capital nos últimos séculos. A iniciativa dialoga com outras ações do TJRS voltadas à valorização da cultura negra. Em 2024, em parceria com o festival Virada Sustentável, foi inaugurado um painel no próprio Foro Central II, em homenagem ao cantor e compositor Lupicínio Rodrigues, na avenida Edvaldo Pereira Paiva. A arte, assinada por Kelvin Koubik, celebrou os 50 anos da partida do músico porto-alegrense.
Pioneiras do seu tempo
O livro, cuja pré-venda da nova edição especial pode ser adquirida no local, reúnem centenas de imagens em preto e branco, levando o olhar do público para álbuns de família e lembranças coletivas, dando luz à fotografia como ferramenta de reparação e valorização da memória. O conteúdo foi pesquisado e analisado pela fotógrafa Irene Santos — a primeira fotógrafa negra do RS. Falando em pioneirismo, a primeira mulher negra a realizar coberturas esportivas no estado, a jornalista Vera Daisy Barcellos, é quem assina os textos da publicação, que também contou com a participação da jornalista e especialista em cultura Silvia Abreu na montagem, além da revisão de Oliveira Silveira, poeta e proponente do 20 de novembro como Dia da Consciência Negra.
Em ambiente interno de exposição, uma pessoa está sentada em uma cadeira, próxima a uma mesa expositiva, falando e gesticulando com as mãos. À frente e atrás dela há painéis verticais com fotografias históricas em preto e branco e textos explicativos impressos. O espaço é bem iluminado, com paredes claras e estrutura cenográfica que organiza o percurso da exposição. .jpg - 382 KB
A jornalista Vera Daisy Barcellos é quem assina os textos da publicação homenageada
Créditos: Elisa Nunes e Silva
A jornalista relembrou o processo de construção do livro, marcado pela mobilização coletiva e pelo empenho de profissionais dedicados. “As famílias abriram suas caixas de fotografias, compartilharam memórias e histórias. Esse material todo foi fundamental”, destacou. Para ela, a permanência do impacto da obra ao longo do tempo evidencia sua relevância. “Mesmo após 20 anos, o livro não perdeu a atualidade. O que está retratado ali ainda conversa com o mundo de hoje e alcança as pessoas da mesma forma", pontuou.
Com passagem por locais emblemáticos como o Mercado Público e o Rua da Praia Shopping, a exposição já foi visitada por milhares de pessoas. A mostra fica disponível no Foro II (rua Manoelito de Ornellas, 50) até o dia 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h. É possível agendar uma visita guiada para grupos maiores e escolas pelo WhatsApp (51) 98595-9611 (Lizandra) ou pelo perfil Almas Retintas, no Instagram.
Vista geral do espaço expositivo, mostrando múltiplos painéis com fotografias e textos distribuídos de forma organizada. No centro, duas pessoas estão sentadas frente a frente em uma mesa, conversando. O ambiente é amplo, com piso claro, iluminação uniforme e controle de acesso por cones com fita organizadora, indicando área de visitação. .jpg - 345 KB
Exposição fica disponível no espaço até dia 30 de abril
Créditos: Elisa Nunes e Silva
Texto: Luiza Meirelles
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Por: Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul