STF ordena uso de tornozeleira e bloqueio de bens de senador que descumpriu decisão
As sanções foram impostas por causa da viagem feita aos Estados Unidos pelo parlamentar, em 23 de julho. Ele estava proibido de deixar o país por decisão do próprio Supremo.
Marcos do Val é investigado pela Polícia Federal por integrar uma campanha de ataques institucionais ao STF e à própria PF. Ele divulgou dados pessoais de delegados que atuam em investigações e tentou publicamente coagi-los em mais de uma oportunidade.
O inquérito apura a possível prática de crimes de obstrução de investigações de organização criminosa e de incitação ao crime. Foi o que levou à imposição inicial de medidas cautelares contra o senador, confirmadas pelo Plenário do STF em dezembro de 2024.
Viagem sem autorização
Do Val foi proibido de usar redes sociais e teve de entregar seu passaporte ao retornar ao Brasil, nesta segunda-feira (4/8). Em 15 de julho, ele pediu autorização para viajar aos Estados Unidos com a família, para férias. O pedido foi negado por Alexandre.
A viagem só foi possível porque ele não devolveu seu passaporte diplomático, ao qual tem acesso na condição de senador da República. O ministro classificou o episódio como um desrespeito deliberado às decisões do Supremo.
Por isso, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar entre 19h e 6h de segunda a sexta-feira e integral aos finais de semana e feriados, além da proibição de acessar redes sociais. O passaporte diplomático do senador será cancelado.
Bloqueio de bens
Alexandre ainda restabeleceu um bloqueio total dos bens do senador. A medida fora imposta em agosto de 2024, levando em conta reiterados descumprimentos das decisões do STF praticados pelo parlamentar.
Dias depois, Marcos do Val pediu o desbloqueio parcial alegando hipossuficiência. À época, chegou a filmar a própria geladeira vazia. Moraes então desbloqueou o acesso a 30% de seus vencimentos e de outras verbas que porventura recebesse.
Agora, o entendimento é de que manter o acesso a esses valores possibilita que o investigado continue se beneficiando economicamente de sua prática delitiva.
“Verifica-se, neste momento, a absoluta impertinência das alegações anteriores de Marcos Ribeiro do Val, no sentido de sua suposta hipossuficiência, com gravação de vídeo de geladeira vazia, considerando a viagem realizada”, disse Alexandre.
A nova decisão impõe os seguintes bloqueios:
— De quaisquer bens, ativos, contas bancárias e investimentos ativos mantidos ou pertencentes a Marcos do Val, incluindo posição de custódia de ações, títulos privados, títulos públicos e derivativos, aplicações em fundos de investimento, VGBL, PGBL, aplicações em LCA e LCI, aplicações em CDB’s, RDB’s, COE, ouro e afins, previdência privada, cartas de consórcio e criptomoedas;
— De todas as chaves PIX de Marcos do Val;
— De todos os cartões, de débito e crédito de titularidade;
— De veículos automotores por meio do Sistema RENAJUD e o bloqueio de bens imóveis por meio da Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB);
— De embarcações e aeronaves eventualmente registradas em nome de Marcos do Val;
— Do salário e de todas as verbas de gabinete do senador.
Clique aqui para ler a decisão
Pet 12.404
Por: Consultor Jurídico
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