TSE - 11 de Maio
30 anos da Urna Eletrônica: equipamento possibilitou resultados no mesmo dia da votação
A terceira matéria da série "30 anos da Urna Eletrônica", produzida pela Secretaria de Comunicação e Multimídia (Secom) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra como a urna eletrônica revolucionou as eleições brasileiras ao possibilitar que o país conhecesse os resultados das eleições no mesmo dia da votação.
As quatro matérias da série, iniciada em 7 de maio, contam a história do nascimento da urna eletrônica, como ela funciona, a importância do equipamento para a inclusão de segmentos sociais no direito cidadão ao exercício do voto e como o sistema de votação é transparente, seguro, ágil e auditável.
Atualmente, o Brasil realiza a maior eleição informatizada do mundo. Em um país continental, com mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores, os votos registrados nas urnas eletrônicas são apurados e totalizados com rapidez, transparência e segurança, por meio de um sistema internacionalmente reconhecido.
Contagem dos votos
Há 30 anos, acompanhar a apuração das eleições no Brasil era um exercício de espera e incerteza. Em diversas disputas realizadas com cédulas de papel, a contagem manual dos votos demorava dias e, em alguns casos, semanas para ser concluída. O processo era lento, sujeito a erros humanos e vulnerável a fraudes.
Com a implantação da urna eletrônica, a partir das Eleições Municipais de 1996, o país viveu uma transformação histórica. A tecnologia desenvolvida pela Justiça Eleitoral modernizou completamente o sistema de votação e permitiu que os resultados das eleições passassem a ser conhecidos poucas horas após o encerramento da votação nas seções eleitorais.
O voto em papel e as fraudes
Antes da informatização, a contagem dos votos era feita manualmente. Os votos dados em cédulas de papel, depositados em urnas de lona, precisavam ser abertos, separados e contabilizados um a um pelos integrantes das mesas apuradoras. O processo gerava filas de urnas de lona, atrasos na divulgação dos resultados e frequentes contestações por parte de partidos e de candidatos.
A demora era comum em eleições de grande porte. Em muitos casos, o resultado final só era conhecido dias após a votação. Além disso, problemas como rasuras em cédulas, preenchimento incorreto e fraudes durante a contagem comprometiam a confiabilidade do processo.
Antes da urna eletrônica, fraudes eleitorais eram comuns. Urnas de lona podiam ser trocadas ou roubadas, votos em branco eram preenchidos indevidamente e resultados eram manipulados durante a apuração. Também acontecia desvio de votos entre candidatos, alterando-se os resultados sem mudar o total geral.
A chegada da urna eletrônica eliminou a intervenção da mão humana nas etapas de apuração e totalização dos votos, que passaram a ser registradas eletronicamente e contabilizadas automaticamente pela Justiça Eleitoral.
Tecnologia e segurança
Ao longo de três décadas, a urna eletrônica recebeu sucessivos avanços tecnológicos, que ampliaram ainda mais a segurança do processo eleitoral brasileiro. Os sistemas eleitorais contam com aproximadamente 30 camadas de segurança, entre criptografia, assinatura digital, rastreabilidade de arquivos, verificação de autenticidade e barreiras físicas e digitais de proteção.
Além disso, o sistema eletrônico de votação é submetido a uma série de auditorias e fiscalizações antes, durante e depois das eleições. Entre os principais procedimentos empregados, estão o Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais (Teste da Urna), o Teste de Confirmação, a Cerimônia de Lacração dos Sistemas Eleitorais e o Teste de Integridade das Urnas Eletrônicas, que atualmente também conta com verificação biométrica de eleitoras e eleitores.
Todas essas etapas são acompanhadas por representantes de partidos políticos, pelo Ministério Público, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pela Polícia Federal, por universidades e por outras entidades fiscalizadoras.
Das regiões remotas à maior capital
A evolução tecnológica da urna eletrônica também transformou o Brasil em referência internacional em eleições informatizadas. Os programas utilizados nas urnas são desenvolvidos integralmente pela Justiça Eleitoral e utilizados de forma padronizada em todo o país, desde a maior capital até as comunidades indígenas e localidades de difícil acesso.
Em regiões remotas, como aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, a transmissão dos dados pode ocorrer até mesmo por satélite, o que garante que os resultados cheguem ao TSE com segurança e agilidade.
A centralização da totalização dos votos no TSE também ampliou a capacidade de processamento e reforçou a segurança física e digital do sistema. Todo esse procedimento é realizado em ambiente protegido por rígidos protocolos de controle.
Transparência
Ao final da votação, às 17h (pelo horário de Brasília), a urna eletrônica encerra automaticamente a coleta de votos e imprime o Boletim de Urna (BU), que registra a quantidade de votos de cada candidata e candidato, além de votos em branco e nulos. Uma via do BU é afixada na própria seção eleitoral, o que permite que qualquer pessoa confira os resultados ali mesmo. A apuração continua de forma centralizada no TSE, onde os votos registrados nas urnas e enviados por cada um dos tribunais regionais eleitorais (TREs) são somados e totalizados.
Os resultados das eleições podem ser acompanhados por qualquer cidadã e cidadão, em tempo real, por meio das plataformas oficiais do TSE. Após a totalização, partidos e entidades fiscalizadoras podem acessar os dados para verificação.
Todo o processo é protegido: os dados são criptografados, transmitidos por uma rede exclusiva, e passam por checagens de autenticidade antes da contagem final. Além disso, a urna eletrônica jamais é conectada à internet (funcionamento off-line), o que impede invasões remotas.
Com 30 anos de uso, o sistema eletrônico brasileiro se consolidou como rápido, transparente, auditável e seguro, garantindo a divulgação dos resultados no mesmo dia da eleição.
AN/EM/DB
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Por: Tribunal Superior Eleitoral